“Não é errado fazer coisas para o bem da humanidade e querer dinheiro por isso”

Vencedora de vários concursos de empreendedorismo, Mariana Vasconcelos, de 27 anos, conta como uma temporada no Google e na Nasa ajudaram a fazer da Agrosmart a grande promessa entre as startups brasileiras

Vencedora de vários concursos de empreendedorismo
(FOTO: DIVULGAÇÃO/AGROSMART)

MARIANA VASCONCELOS, DA AGROSMART: TEMPORADAS DE ESTUDOS NA NASA E NO GOOGLE COMO PRÊMIOS POR VITÓRIAS EM CONCURSOS DE EMPREENDEDORISMO

Filha de agricultores do sul de Minas Gerais, a empreendedora Mariana Vasconcelos, de 27 anos, vem há algum tempo alimentando um grande sonho: resolver a fome do mundo, ajudando pequenos e médios produtores a cultivar mais e de forma mais sustentável. Parece ambicioso. Mas para Mariana é assim mesmo que os desejos têm que ser. “A gente tem que atirar para a lua para que, no meio do caminho, possa ter oportunidades de resolver problemas e conquistar coisas”, diz.

É uma lógica aprendida durante os meses em que ela passou na Nasa e entre engenheiros do Google, depois de vencer importantes competições de empreendedorismo no Brasil. Entre eles, o Google Launchpad Accelerator, que garante duas semanas nos escritórios da empresa no Vale do Silício, e também o Call to Inovation, realizado pela FIAP e que concede bolsas de dois meses para um programa da Singularity, a universidade com foco em inovação cujas aulas são ministradas nas instalações da agência espacial americana.

– e, no final de 2016, foi escolhida pela Coca-Cola para o atendimento a alguns pequenos e médios agricultores da cadeia de suprimentos da empresa. A área de monitoramento da Agrosmart já chega a 50 mil hectares no Brasil. Mas Mariana quer mais: “Vamos ser líderes nesse tipo de solução na América do Sul e África”, diz. A aposta tem seu fundamento.

A Agrosmart acaba de firmar parcerias com a Provestia e com a Naan Dan Jain (uma das líderes globais em solução de gotejamento) para a distribuição dos produtos desenvolvido pelo time de Mariana. “Os períodos que passei no Google e também na Nasa foram bem importantes para trazer a empresa até aqui”, diz Mariana.

Além de todo o aprendizado técnico, eu abri minha cabeça como administradora. Entendi que você pode criar um negócio, que pode ser rentável, mas que pode gerar impacto na vida das pessoas. Boa parte dos problemas do mundo não serão resolvidos pelos governos, mas por novos empreendimentos, pelo uso inteligente da tecnologia. Uma das principais mensagens é que é possível fazer o bem e ganhar dinheiro.

Não é errado você ganhar dinheiro. Pelo contrário. Eles até falam assim: você quer ganhar US$ 1 bilhão? Então, precisa resolver o problema de um bilhão de pessoas. Uma palestra bem marcante foi a do Peter Diamandis (um dos fundadores da Singularity e autor de best-sellers sobre como a tecnologia pode contribuir para um futuro melhor). Ele fala muito sobre a questão da vocação.